...VIDA MORRER
Alguma coisa está no ar
Será o medo da morte?
A coragem de lutar?
Será o triste fim da sorte?
Vida que se esvazia
Sem direção ou qualquer sentido
Se esconde alegria
Sentimento esquecido
Qual sedenta ânsia
Vontade de sumir
Ir onde ninguém alcança
Ninguém pode sorrir
Mas os braços da solidão amiga
Ampara nutre e revigora
Manda embora minha fadiga
Minha inimiga fica lá fora
Tudo um dia termina
Depois do derradeiro ato
Baixam cortinas
Ignorância dos fatos
Faz do homem sonhador
Imaginar o além
Sei lá seja como for
Assim seja amém
Quem quer ser eremita
Vibrante intelectual
Se tua vida finita
Deixa de ser bonita
Prá ser letal
Nessa erma solitude
Deserto vagueiam peregrinos
Sonhos de juventude
Devaneios de menino
E o céu sempre anil
Sol falso amigo
Vida dentro de um funil
Ampulheta de umbigo
Problemas mil
Sem encontrar abrigo
Acabarei senil
Despido do perigo
Bandido gentil
Mocinho bandido
Longe de sua terra
Lembra quão querido
Afeição coração encerra
Sente-se perdido
Soldado pós- guerra
Nessas esperanças dúbias
Peito amargo fendido
Promessas núbias
Ao tempo esquecido
Vida brinde a memória
Qualquer cena vívida
Transforme-se em história
Me abrace solidão
Deixe-me em seu regaço dormir
Minhas lágrimas derramar
Em seu aconchego amor sentir
Mera solidão
Deixe-me enlouquecer
Minha voz sumir
Minha vida morrer.