domingo, 31 de agosto de 2014

Vozes Mortas


VOZES MORTAS

A batalha acabou

Não houve vencedor

Nos campos

Corpos estendidos

Simetria ridícula, quântica

Como se o chão esperasse

Os corpos a cair

Sangue correndo, membros perdidos

Últimas palavras ecoam

Zumbis, atravessam esse mar de chacina

Onde corpos hão de adubar

Essa terra insaciável

Então:

_ Por que a luta?

_ Por que a morte?

_ Por que a guerra?

_ Pra que chorar?

Se não entende a alegria

Desprezar o sorriso

No alvorecer do dia

Mas como esquecer

A batalha que eclodiu ao anoitecer

Se a perdida esperança

Outrora foi confiança

Hoje, transfere sua vida

Ao mundo paralelo

Onde viver nem sempre é possível

Somente o horizonte na fronte

Infinito ao olhar

Angústia no amanhã

Vem me consolar

E essa necessidade

De se manter vivo

Na espera desse louco amanhã

Mas, como soerguer corpos

Fechar cicatrizes

Endireitar formas tortas

Ninguém pode ressuscitar

Vozes Mortas

 

Poeira na Estrada


POEIRA NA ESTRADA

Poeira, só poeira na estrada

Pele seca, cabelo seco, tudo seco

_ Eta ferro! Que sede danada

Nesse mundão, só agonia

Maldito tormento sina encantada

_ Qual será meu rumo?

Se esse mundo que me pariu

É muito mais jegue que eu

Derradeiro rumo sumiu

_ E só tem poeira na estrada

Cabra lutador feito na vida

Não ligo pra sina encantada

_ Se vou morrer? Acho que não

Sou muito macho pra isso

Mas, pra que viver?

_ Se, só tem poeira na estrada

Uma e outra alma ainda resiste

Sol não da trégua

Todos com a mesma cara

Homem, mulher tudo triste

_ Se achegue seu moço

Parece ser tudo que quero ouvir

Mas, esse cabra insiste

Em sua sina seguir

_ Na estrada, só poeira na estrada

Suor seca e resseca

Nem sombra, nem água, ninguém

_ Cadê o fim do caminho?

Porqueira! Diacho! To é sozinho

Sozinho vou

Meu Deus! Como tem poeira na estrada

É vento, é caminhão

Todos passam, e eu sou um nada

Um Zé Ninguém a mais

Pra todos tanto faz

Sigo é meu destino

Escolhi ser o que sou desde menino

Se nunca encontrei abrigo

Se não tive nem pai

E as lágrimas querem molhar meu rosto

Rezo: Dê forcas a esse cabra meu Deus

Que nunca teve um encosto

Mas, promode desgosto

Vive sem rumo na poeira

E só tem poeira na estrada

Daqui, dali, dá uma trabalhada

Mas, não consegue ficar parado

Seu coração fascinado

Só quer a poeira da estrada

Sina encantada

Quem sabe, eu quebre seu encanto

Ao tentar outra sorte

Vou cobrir a carcaça com o manto

Não vai ter quem chore meu pranto

Na poeirenta estrada da morte.

 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

EU SOU XAMÃ


EU SOU XAMÃ


I   CHAMA

Desde que tenho lembranças as mais belas se passam num lugar chamado Jardim da Perfeição, neste lugar qualquer um se situaria além do tempo e espaço, lá tudo era imensamente lindo, perfeito, flores de todas as cores, tamanhos e fragrâncias, árvores dos mais diversos tipos, frutíferas ou não, suas passagens e caminhos todos extremamente pensados com certeza projetados, imbuídos a fim de termos a concepção de um Todo. E eram para mim mais belos do que agora, talvez por ter a impressão da juventude. Lembro que certa vez conversando com meu Pai e sentindo todo esse mundo ao meu redor perguntei-lhe: - Pai como nós seres humanos conseguimos elaborar um trabalho tão sublime, além, muito além de qualquer palavra? Sorriu, era seu costume, e falou: - É bom sentir não somente com os sentidos, mas, com o mais profundo eu que há em cada um de nós, observe tudo aqui tem seu lugar, seu tempo, tudo foi engendrado para que intuíssemos o Belo em sua magistral demonstração de seu poder em nossas mentes, ou seja, a contemplação. Aqui meu filho não existe acaso, na verdade em nenhum lugar há acaso tudo tem de fazer sentido, tudo há de ter um por que.

- Mas Pai, como então adquirir conhecimento, aja visto, ser necessário para tal Obra? Além disso, como se pode entender o inicio de tal conhecimento? Onde tudo começou realmente?

- Meu Filho tudo a seu tempo, iremos ter muitíssimas conversas, e elas responderam seus questionamentos. Não se preocupe, agora andemos em silêncio, apenas veja com os olhos da alma. 

(Foi quando senti dentro de mim uma vontade muito profunda de preservar essas nossas conversas e idealizei uma maneira em que as palavras pudessem ser pronunciadas por quem viesse a te-las novamente, na verdade repeti-las, assim lendo como ficou sendo chamado, independente de quem, todos que soubessem assim como um código iriam interpretar e entender o que estava escrito, isso pareceu a mim um grande desafio, mas, depois de algum tempo desenvolvi e consegui, a prova são essas linhas que agora você também lê.

Hoje sou um senhor de meia idade ciente do tempo e espaço, já tenho vivido alguns dias, mas, meu Pai, Ele é Antigo de Dias isso eu sei. E com isso tornei-me para meu Pai sua Palavra e Verbo. E farei aqui um resumo somente isso. Sendo que algumas palavras meu Pai consentiu que escrevesse outras continuarão a serem passadas de geração em geração somente pela boca e guardadas em nossos corações. Eu Filho sigo suas ordens até o dia que eu serei Ele e assim farei com meu Filho e meu Filho fará com sua descendência pela eternidade sem fim. E, assim se deu.)


Eis o relato dessas histórias (conversas), escreverei suas respostas assim como outros questionamentos de forma que o entendimento vos fará saber a verdade ou não):

Um dia tendo encontrado meu Pai de bom semblante falei-lhe: Pai a tempo tenho escutado e reservado como falaste algumas palavras e julgo ter algum conhecimento tanto que foi passado por Ti, tanto como aprendi durante a vida, por isso permita-me perguntar: - O que somos realmente? Eu sou quem? Estou em mim, ou eu sou só eu? Mas, como? Como saberei que eu sou eu?

 - Meu filho és aquele que levarás todo nosso conhecimento, por isso irei responder-te. Pergunto a ti meu filho: Quando se é? E quanto se está? Qual a diferença?

– Se estou em mim ou se sou em mim?

 – Exatamente.

Deixe-me contar uma passagem antes: Certa vez meu filho fui chamado atenção pelo um episódio no qual alterquei com meu irmão;

- Você está nervoso? Disseram.

Respondi; - Não estou nervoso, eu sou nervoso? Agora explique ser e estar.

- Meu Pai, assim entendi: Ser é a essência, é universal, e estar é somente um estado de existência. Assim se é.

- Muito bem meu filho. Consegues como tu dizes transcrever nossas conversas? – Sim meu Pai, agora posso registrar o que falamos. Então vou aproveitar para pedir-te que doravante escrevas conforme aquilo que falarmos e somente o que eu ordenar não escreva. Pois serás minha Palavra, meu Verbo, meu Filho, aquele que na frente irá e executará o que  tenho dito.

Filho entende nunca fomos ou seremos simplesmente somos, sabes tu que muito outrora aprendemos a nos comunicar, ou seja, éramos animais falantes, mas nos tornamos seres pensantes.

- Pai como se deu tal?

Filho escreve, pois, EU SOU XAMÃ, vosso Pai, e agora depois de tantas eras chegou a hora de escrever, pois temos os meios os quais nossos antepassados não tiveram. Escreve meu filho, pois Eu Sou Xamã ordeno que depois de escrito guardeis com vossa própria vida estas palavras que vos falo. Guardei e a levais no vosso coração por que são elas que farão ficar vivo e sereis ao seu tempo como eu Xamã e assim passar-se-ão eras e mais eras mas estas palavras permanecerão como lei diante de nossos filhos e filhos de nossos filhos, pois Eu Sou Xamã vosso Pai assim vos fala.

Não tem como contar as voltas para trás e saber qual tempo foi, mas, faz muito tempo. Havia um lugar que está somente em nossas mentes, não um lugar comum, descreveria como um lindo jardim que igual entre nós não há (Jardim da Perfeição). Um lugar onde todas as sementes se encontravam e vicejavam em suas estações, frutos abundantes pastagens sem fim, animais selvagens lutando pela sobrevivência, uma luta, porém equilibrada e por que não dizer pacifica. Nossos antepassados encontraram ali abrigo e alimento, ali nasceu singelamente nossa raça, nem sei se éramos. Sei, no entanto, que nossa historia volta até lá. E de lá meu filho que vos falarei. Somente escreve, pois Eu Sou Xamã vosso Pai.

Por que Eu Xamã tirei-te das trevas e lhe dei a luz, fui eu Xamã que dei as sementes, a arte de pastorear e domar animais, fui eu Xamã que de suas grossas mãos ensinei-te a fina arte da cerâmica, depois a construir as habitações, fui eu Xamã que ensinei os números que conheceis e usais, e com eles o tempo e os dias apareceram. Eu Xamã dei-te a indústria da lã que nos conforta e veste. E claro a nobre arte dos metais as quais temos domínio e que nos fazem sermos civilizados. Acima de tudo meu filho temos conhecimento. Conhecimento este dividido entre três saberes, sendo o primeiro perscrutar (Filosofia), o segundo o de apreender (Ciência) e o terceiro o de agradecer (Religião). Todos esses saberes tiveram uma só origem, pois despertaram do mesmo acontecimento nenhum antes, nenhum depois. Seguindo somente a mesma sequência assim meu filho atente a mim, pois quem vos fala é Xamã vosso Pai. Nossas vidas são uma corrente e elos nos unem, de geração em geração nosso conhecimento avança e depois de nós ainda seremos, pois o TODO É, nem foi, nem será nada que Nele já não esteja contido.

Como tenho dito era um magnífico lugar, escreve meu filho, pois eu Xamã vos fala. Igual a esse lugar ouso dizer não houve nem haverá em todos os dias que seres como nós andarem sobre esta terra. Escreve meu filho, quero agora descrever esse lugar e mais tarde entendereis por que. Vindo do nascer do sol deslizava um rio que num imenso vale cortava as pastagens sem fim, serpenteava até ficar mais estreito ao lado de dois maciços, escarpas que pareciam terem sido quebradas a mão, em seu sopé resistiam algumas arvores e arbustos algumas chegando até rio, tudo parecia fluir, animais pastando uns sendo presas outros predador, nesse mundo de sonhos e abundância nosso primeiro Pai  atentou como as coisas pareciam ter ciclos e por que elas eram assim como eram. Até que certo dia em um final de tarde, lá estava ele, olhou para cima viu o céu, neste dia o céu parecia ser de um azul intenso, mas, se via ainda os raios do sol, nesse cenário começa nossa história. Na verdade ele se sentia responsável por todas as vidas que ali estavam aqueles seres um pouco mais que animais, quem sabe animais que pensam, que vivem em acordo mútuo que transmitem entre si seu saber e cria seus filhos como maior dádiva. Sim ali estavam finalizando a coleta de algumas frutas da época. Ele continua a olhar e eis que acima das escarpas começaram a surgir nuvens e mais nuvens cada vez mais espessas indo para um azul escuro e cinza forte, sem dúvida viria uma tempestade, o vento já aumentava e nosso Pai deu um grito alertando a todos para correr em direção da caverna antes da tormenta. No fundo ele sempre teve medo das forças da natureza. ( - Filho óbvio que alguns termos descrevo como vejo e entendo, não necessariamente como nosso primeiro Pai descreveu). Os primeiros pingos se fizeram presente e a carreira foi grande, pois se temia a escuridão, esse também causava temor não se conhecia a Luz. Mas estava perto desse medo acabar, muito perto como veremos. Todos chegaram à caverna e a tempestade chegou com toda a força. Do fundo da caverna aquelas seres amontoados agarrados uns aos outros não sabiam o que fazer e por que tanta demonstração de força e poder. Nosso primeiro Pai dirigiu seu olhar para a entrada da caverna algumas vezes aquele clarão iluminava toda a boca da caverna ele temia como assim temiam todos, mas perscrutava, por que. – Por quê? Por que isso acontece tem alguém por trás disso? Ou não? Desprendeu-se dos demais, lentamente foi se dirigindo para a entrada, seu coração querendo explodir, mas, sua vontade era maior, muito maior, ( - acredito tinha uma força maior que ele que o compungia ele não sabia o que, mas que tinha ou haveria de ter)  ali quando chegou na porta da caverna sentiu o vento querendo o empurrar para dentro e ele resistia, ali meu filho, nosso primeiro Pai olhou rio clareado pelos relâmpagos, as árvores sendo chacoalhadas para todos os lados, viu os animais correndo, viu as pedras descendo com a enxurrada, viu os raios quebrando as escarpas, havia um sincronismo, parecia haver um ritmo, tudo parecia se encaixar fazer sentido, era inevitável era belo demais, certo demais, fantástico, era sublime sem palavras, existia ali alguma força se expressando se manifestando, então ele se viu como um estranho em seu lugar, esse lugar era de mais alguém, quem sabe um alguém muito mais que ele. - Mas quem? Aquele vento aquela sensação, era magnífica, nunca sentira tão bem, tão feliz, indescritível, era demais, e extasiado com tudo sentiu-se cada vez mais leve, sua cabeça rodava sentiu-se um pássaro, parecia voar, tudo em sua volta começou a girar a girar, o mundo, as coisas pareciam estar cada vez mais devagar tudo parecia estar em consonância, tudo parecia ser uma só coisa ele era parte e também fazia parte um momento sem igual que foi aumentando e aumentando seu sentimento foi crescendo ele já não sabia onde estava o que era se era, sentia-se como uma folha caindo, um vazio que não pode se completar, mas, ele estava lá, ele queria mais e queria mais, e nesta sensação sentiu-se mais próximo das forças que tanto temia, quando não precisava temer, era só viver e se viu com o TODO pela primeira vez. A primeira vez como Ser pensante não mais como animal falante. Filho escreve, pois eu Xamã ordena, escreve, pois desejo que todas as gerações venham, a saber, que vos ordenei e entendam da onde viemos e nosso propósito neste terra que vivemos. Meu filho, continuando ele Nosso primeiro Pai a estar na sua contemplação chegando ao sublime conhecimento e elevando sua mente com a mente que estava com Ele e era Ele, viu toda a Terra e se extasiou quando percebeu quão pequeno era seu entendimento diante dos Céus dos Céus e quão grato podia ser com aquele momento. E refletiu devo ser grato a quem. Quem esse que abriu seus Céus para esse ser tão pequeno. Que força é essa capaz de trazer-me a lugares inefáveis e Inexplicáveis onde nem mesmo o tempo se faz sentir. O céu a terra o tempo nada era o mesmo, ele mesmo se revelou. Ele meu filho esteve até nosso tempo, pois tenho dito ele nos viu e dá testemunho do que era, do que é e do que será. Assim ele foi voltando a si e as coisas começaram a rodar normalmente, ele foi percebendo onde estava e do que fazia parte, uma unidade de muitos, mas que é um TODO.

(Essa primeira compreensão das coisas como são o fizeram mudar, pois tinha visto o que era indizível, não havia maneiras de se fazer compreender e dividir, pois os seus semelhantes ainda eram muito pequenos em entendimento, e ele teve de esperar muito até poder transmitir a sua descendência. Mas, nesse grande momento ele revestiu-se de uma coragem uma determinação acima do aceitável ele voltou dos céus e recebeu dele sua coragem e manifestou isso na nessa mesma hora.)

Meu filho, foi ali quando voltou a si que ele saiu correndo e antes que a chuva apagasse olhou a árvore ardente em chamas que ardia chamuscada pelo um raio pegou uma lasca em fogo e trouxe para dentro da caverna e disse: - Aja LUZ e gritou: Nunca mais haverá escuridão e a luz se deu, doravante venceremos nossos temores com a chama dos céus. Ali no pórtico da caverna que era nosso primeiro lar diante de todos, nosso Pai se tornou Xamã o primeiro a compreender que o conhecimento sempre está em todos os lugares, nós é que devemos revelá-lo.

 Mesmo assim ele teve receio como se tivesse se apropriado indevidamente de algo, pensou na ira de alguém, se esse alguém viesse reclamar; - Quem pegou minha chama e a mantém? Quem se atreve a atentar contra mim? Receava de ela querer apagar e voltar às trevas, e assim a alimentava, e ainda pensou em como retribuir tal bondade, e começou a também colocar caças ao fogo e gostou do cheiro, um cheiro repousante atraente, um cheiro que levava aos céus seu presente, aí nessa comunhão com O TODO, chamou esse SER esse princípio de DEUS, pois Ele é a própria oblação e nada mais justo de que retribuir de todo o coração a quem lhe ofertou. E com Sua graça venceria todos os seus medos e com seu calor se manteria, alimentaria e acalentaria sua prole. Batizou-o então por fogo. Pois, a Luz gera calor e mostra o caminho para os homens.

 Mas, todos os que observavam nosso Pai ficaram espantados com tamanho poder e lhe renderam homenagens, somente ele deveria e conservaria a chama acesa. Ele então não era apenas um líder, era chefe (líder), era descobridor (filósofo), era sacerdote (religioso), tornou-se Xamã por outorga dos Céus e assim se deu.


II   CHAMA

 Era difícil conservar o fogo, ele era voraz precisava ser alimentado direto. Mas, como preservá-lo? Como reacender caso viesse a apagar? Como criar, como fazer que o fogo aparecesse, como? Além de que, às vezes precisaria ir mais longe e como levar o fogo, pensava e pensava olhava o fogo e começou a observar que a lenha quando ia apagar se assoprando voltava a se encandear. E assim ele tentou, tentou e continuou tentando reproduzir o fogo somente das lascas e gravetos, observou que ardiam quando esfregadas muitas vezes e continuou a esfregar até sair às primeiras fumaças que o lembraram das chamas quase extintas então ele soprou e soprou e de repente eis sua vitória seu grito ecoa até nós, um grito sublime único, a conquista do fogo, nasce à ciência. O homem controla e reproduz o fogo. Até então sua maior Arte brota da arte da observação. Não mais qualquer homem, mas o homem, O HOMEM LUZ.

Assim, ele dominou a arte do fogo. E seu êxtase era imensamente grande gostaria de agradecer a alguém, então ele agradeceu aos Céus, agradeceu a Deus a quem personifica e revela-se para ele. O singelismo do fogo era compartilhado com os dos seus, mas, com a graça comungada com os Céus oriunda do Ser Supremo, O Ser Acima dele. E assim ele compartilhava alguma caça em datas, quando sentia a presença Superior pairar sobre sua cabeça. Aprendeu a comungar com os seus semelhantes o mesmo sentimento A Presença embora não vista, mas, sentida de Deus.

Esse homem, o homem Luz perpetuou e outros vieram e lhe rederam mais homenagem, e sua grandeza cresciam e cada dia que passava mais se consolidava como Xamã. E em troca de tributos ensinou a arte do fogo aos escolhidos e que tais mantivessem com muito cuidado a arte nobre de revelar a Luz.

Meu filho, assim nosso primeiro Pai se tornou muitíssimo grande, em suas noites de ensino queria ensinar sentia esse desejo absolutamente natural e nas paredes das cavernas desenhava, observe que até hoje encontramos tais manifestações de conhecimento e arte agora visual. Tanto que ainda somos capazes de interpretar tais desenhos. Ficou refém de si, do fogo, mas, era só o começo. Continuava a passar horas olhando fogo crepitar, não entendia como se dava, como se manifestava, que forças estariam por trás, mas era apaixonante e confortante sentir seu calor.

Nessa época ali nosso primeiro Pai, olhava as estrelas e sentia a necessidade de entrar em contato com os Céus queria sentir Deus nas alturas como na primeira vez, e repetia isso todos os dias, nasceu as orações. O homem entrando em contato com seu ser Superior e crendo em suas respostas, nasceu a Fé. A Fé em Deus. Não havia como negar seu sentimento, alguma coisa dentro de si dava testemunho que ele tinha que se comunicar falar com Deus, não o conhecia, mas, sabia de sua existência. Seu eu corroborava com ele e ELE comungava consigo.

O homem assim teve consciência de si e instantaneamente de Deus, pois um não É sem o Outro, criador e criatura a mesma imagem a mesma essência, ou seja, a ciência de si, diferentes em grandezas, entretanto, partícipes de um TODO MAIOR, a unidade e o todo se completam onde há um há o outro.




III CHAMA

Filho escreve não se detenha somente escreve. - Assim farei meu Pai. Com o conhecimento do fogo e da observação aprendeu que sapecando algumas caças e frutas ou raízes o alimento ficava melhor, muito melhor para comer.........

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Chuva que Cai


CHUVA QUE CAI

Pingos dágua

Caem do céu

Correntes, enxurradas

Lavam as ruas

Sobem os rios

E caminhando pela calçada

Vejo as pessoas correndo

Fugindo

Da chuva que cai

A natureza predomina

A chuva se vai

O cheiro no ar

O verde das folhas ficam

Comprovam sua existência

Retratam a vida

E essa convivência

Combatem sua simplicidade

Tão complexa, tão ingênua

Traz-me saudades a confirmar

Como és linda, chuva que cai

Chuva que traz problemas

Traz cura, esperança.

Chuva não tem culpa

Qual inocente criança

Mas, às vezes apronta

Chuva que cai

Conte-me seus segredos

Fale-me de seus trovões

De seus relâmpagos

De sua branda garoa

De sua água boa

Como se faz?

Chuva que cai

Traz-me surpresas, temores

E todos correm

Chuva caindo, voltando

Destruindo, molhando

Sendo infinita, incomparável

Na ternura

Na frieza

Com ventos

Sem ventos

Mostra beleza

Sua indiferença

Simplesmente assustadora

_ Choram pra tu caíres

_ Choram pra tu cessares

_ Sorriem por tu chegares

_ Enlutam por tu matares

Seu barulho no silêncio

Em tudo um vazio

A correria a calma

_ Por que não quer parar?

_ Por que não quer chegar?

_ E quem sou eu?

Pra lhe dizer isso

Tens aqui um belo compromisso

Manter a vida

Pingos se multiplicam

E como brincam

Chuva que cai

Me traz, me leva

De dentro, não se sai

Nos reprova

Nos aproxima

Enclausura, dispersa

Chuva que cai

Traga-me a alegria

Para que eu a sinta

E sinta nas noites e dias

O bem que me faz

Chuva que cai

Sei que um dia eu irei

E tu ficarás

Muitos te olharão

Escutarão tua voz

Sentirão seu toque

Chuva que cai

Nos molha

Por favor, olha

A terra sedenta

Que esperando suas lágrimas

No solo arrebenta

Chuva que cai

Maneira bruta

Escuta!

Chuva que cai

Nada mais

A chuva acabou.

A Vida me Deixaria

A VIDA ME DEIXARIA
                     
A vida me deixaria
Se eu morresse amanhã
Não haveria mais manhã
E o sol não mais nasceria


A noite esse cobertor
Me pouparia dos dias
De sua boca o amor
Só lágrimas, roucas alegrias


Um momento eterno
Marcado para todo o sempre
Nem céu nem inferno


Só tua ausência
Chora inocente

Me silencia.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Atualidade

Atualidade
Vejo com consternação destaques na mídia, o de ontem, o de hoje, quem sabe o de amanhã parecem não mudar. Todas as tribos (inclusive algumas saindo do baú) parecem usar a mesmíssima receita: quebra, quebra e quebra de novo. Não sejamos pueris essas tribos tem chefe e patrocinadores, se deleitam com a quebradeira sendo manchetes nacionais e internacionais. Envergonham a todos nós brasileiros. Tupiniquins selvagens (a mídia nos faz assim) não sabem nem escolher seus governantes preferem a anarquia que a ordem. Será que aquela frase “o povo merece o governo que tem” nos faria acordar desse sonambulismo democrático, acredite não é por que a maioria vence, que essa tal maioria está certa. Basta ver a história desde o berço da democracia. Não seria mais apropriado guardar toda essa energia para quando do ato civilizatório do cidadão, ou seja, seu voto comprovar todo o seu anseio, seu vigor, sua potência como manifestação mais digna, pois de alguma forma nós pagamos indiretamente por tudo o que tai. Do bolso mesmo ninguém é capaz de tirar um centavo sequer. Não adianta, ou muito pouco, expressar sua indignação tem-se que partir para uma ação que gere mudanças factuais, e queiramos ou não o voto é uma ferramenta, portanto, o saber votar, saber em quem votar saber em quem depositar suas esperanças é fundamental.
Mas ressalto, temos que promover pessoas capazes que sejam menos corruptíveis, pois, conheço alguns nomes que eram nobres seres, mas sucumbiram diante do poder, diante do vale corrupção. Hoje são só uma figurinha a mais, e nada mais. Escondem-se nas cadeiras de seus plenários, atrás de discursos pré-fabricados que não expressam nada, só um vazio, correm, pulam, ladram, lulus nada mais.
Meus caros amigos, meus raros amigos nosso dever como filhos desta nação é mante-la digna de todos nós nesse agora e nos próximos. Deixemos de ser rebanho para formar uma nova opção: Cidadãos de livre pensar onde o bem comum seja coletivo e integrado com o Todo maior.
Abs.

Lourival Caetano