Julgaste partir
No dia em que julgaste partir
Deixaste um vazio
A alvorada estava muda
Os pássaros estavam mudos
O mundo emudeceu
Nós emudecemos
- Qual forças usaste?
- Cadê as palavras?
- Cadê os sentidos?
- Cadê os por quês?
- Cadê todo mundo?
Ficaste tu somente
Assim como almejaste
No dia em que julgaste partir
Outras lágrimas não desejaste
Somente as tuas te consolaram
Ninguém a verte
Contigo ficou
A última expressão
A última palavra
A última lágrima
O último fôlego
Derradeiro ato
Sucumbiste ali sozinha
Assim ansiaste
No dia em que julgaste partir
O que inevitavelmente querias foste
Sem mancha
Sem mácula
Com a vida brincaste
A esperança ignoraste
E a vida feneceu
Nem sequer um adeus
Definitivamente o fio cortaste
O frio almejaste
Nem calor
Nem amor
A eterna escuridão conseguiste
Da luz fugiste
Sua voz calou
Tolheste a razão
No futuro não pensaste
No dia em que julgaste partir
Que vida olvidaste
Flor que secou
Assim também seu rebento
Sua morada encontraste
Nenhuma lembrança
Agora só a dor
Eterna criança
- Quem consolaste?
Assim se deu
A morte envidaste
- Quantas vezes tentaste?
- O que lograste?
Minhas lágrimas
Receba meu singelo adeus
Tardio adeus
No dia em que partir julgaste.
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