domingo, 7 de setembro de 2014

Três Vidas

I
Sois sábio, e o antigo dos antigos, guardiões da ciência sempre alimentaram-se convosco. Sois sábio, e não aprendesses a ciência com ninguém, e tampouco a adquirisses de outro senão de vós. Sois sábio, e como um operário e um arquiteto, reservasses de vossa ciência uma divina vontade, num tempo marcado para atrair o ser do nada; do mesmo modo que a luz que sai dos olhos é atraída de seu próprio centro sem nenhum instrumento ou ferramenta. Essa divina vontade cavou, traçou, purificou e fundiu; ordenou ao nada abrir-se, ao ser aprofundar-se e ao mundo estender-se. “Mediu os céus com o palmo, com seu poder reuniu o pavilhão das esferas, com o laço de seu poder cerrou as cortinas das criaturas do universo e, tocando com sua força a ponta da cortina da criação, uniu a parte superior à inferior.” Se assim fizestes, então, sois sábio.
II
É que só se pode gozar os prazeres da vida, mesmo os materiais, pelo sentido moral. O prazer é a música das harmonias interiores; os sentidos são apenas seus instrumentos, instrumentos que desafinam ao contato com uma alma degradada. Os maus nada podem sentir, porque nada podem amar: para amar, é preciso ser bom. Para eles, portanto, tudo é vazio, e parece-lhes que a natureza é impotente, porque eles próprios o são, duvidam de tudo porque nada sabem, blasfemam contra tudo porque de nada gostam; se afagam, é para emurchecer; se bebem, é para embriagar-se; se dormem, é para esquecer; se acordam, é para entediar-se mortalmente: assim viverá, ou antes, assim morrerá todos os dias aquele que se liberta de toda lei e de todo dever para tornar-se escravo de suas fantasias. O mundo e a própria eternidade tornam-se inúteis para quem se torna inútil para o mundo e para a eternidade.
III
Pare e reflita; - O que é a vida? Que espetáculo é esse? Onde se passa esse espetáculo? Onde estou inserido? Qual meu verdadeiro papel? Diz-se que a vida é um Teatro. – Estou dentro ou fora?
Imagine você andando procurando razões para prosseguir andando sem noção simplesmente deixando-se levar pela vida. Sem compreendê-la ela não tem sentido. De repente eis que de repente surge um magnífico teatro, esplendido gigantesco, monumento à existência. É encontraste sem querer o Teatro da vida. - O que fazer agora? Ficar admirando? 
1)    Existem os que diante da vida encontram a própria vida, mas, não querem fazer parte dela querem tão somente continuar em sua contemplação querendo jamais adentrar em seu interior.
2)    Existem os que querem adentrar em seu interior e ver sentir, ter não só a compreensão do seu lado e sua magnificência externa, mas também seu lado interno, os dois lados da vida. No entanto, se contentam em serem espectadores somente espectadores, e por mais que o espetáculo seja esplendido continuaram a serem espectadores.
3)    Existem os que adentraram e lá descobriram que a vida é um espetáculo e querem não permanecer espectadores, querem fazer parte desse espetáculo, querem ser atores dessa grande produção, querem subir para o palco da vida.
4)    Existem por último os que passaram por essas sensações da vida e querem mais, querem ser os que roteirizam e dirigem a vida. Não somente suas próprias, mas, também os de quantos forem necessárias.

E você? Como vê a vida? Sua vida? A vida dos outros? Escolha como encara a vida e viva, mas viva intensamente vivo. Vislumbre o amanhã, queira esse amanhã. Viva não somente para seus interesses, mas, viva para felicidade, compartilhe o máximo seus momentos.
Descubra seu Teatro.

Lourival Caetano

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