domingo, 31 de agosto de 2014

Vozes Mortas


VOZES MORTAS

A batalha acabou

Não houve vencedor

Nos campos

Corpos estendidos

Simetria ridícula, quântica

Como se o chão esperasse

Os corpos a cair

Sangue correndo, membros perdidos

Últimas palavras ecoam

Zumbis, atravessam esse mar de chacina

Onde corpos hão de adubar

Essa terra insaciável

Então:

_ Por que a luta?

_ Por que a morte?

_ Por que a guerra?

_ Pra que chorar?

Se não entende a alegria

Desprezar o sorriso

No alvorecer do dia

Mas como esquecer

A batalha que eclodiu ao anoitecer

Se a perdida esperança

Outrora foi confiança

Hoje, transfere sua vida

Ao mundo paralelo

Onde viver nem sempre é possível

Somente o horizonte na fronte

Infinito ao olhar

Angústia no amanhã

Vem me consolar

E essa necessidade

De se manter vivo

Na espera desse louco amanhã

Mas, como soerguer corpos

Fechar cicatrizes

Endireitar formas tortas

Ninguém pode ressuscitar

Vozes Mortas

 

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