domingo, 31 de agosto de 2014

Poeira na Estrada


POEIRA NA ESTRADA

Poeira, só poeira na estrada

Pele seca, cabelo seco, tudo seco

_ Eta ferro! Que sede danada

Nesse mundão, só agonia

Maldito tormento sina encantada

_ Qual será meu rumo?

Se esse mundo que me pariu

É muito mais jegue que eu

Derradeiro rumo sumiu

_ E só tem poeira na estrada

Cabra lutador feito na vida

Não ligo pra sina encantada

_ Se vou morrer? Acho que não

Sou muito macho pra isso

Mas, pra que viver?

_ Se, só tem poeira na estrada

Uma e outra alma ainda resiste

Sol não da trégua

Todos com a mesma cara

Homem, mulher tudo triste

_ Se achegue seu moço

Parece ser tudo que quero ouvir

Mas, esse cabra insiste

Em sua sina seguir

_ Na estrada, só poeira na estrada

Suor seca e resseca

Nem sombra, nem água, ninguém

_ Cadê o fim do caminho?

Porqueira! Diacho! To é sozinho

Sozinho vou

Meu Deus! Como tem poeira na estrada

É vento, é caminhão

Todos passam, e eu sou um nada

Um Zé Ninguém a mais

Pra todos tanto faz

Sigo é meu destino

Escolhi ser o que sou desde menino

Se nunca encontrei abrigo

Se não tive nem pai

E as lágrimas querem molhar meu rosto

Rezo: Dê forcas a esse cabra meu Deus

Que nunca teve um encosto

Mas, promode desgosto

Vive sem rumo na poeira

E só tem poeira na estrada

Daqui, dali, dá uma trabalhada

Mas, não consegue ficar parado

Seu coração fascinado

Só quer a poeira da estrada

Sina encantada

Quem sabe, eu quebre seu encanto

Ao tentar outra sorte

Vou cobrir a carcaça com o manto

Não vai ter quem chore meu pranto

Na poeirenta estrada da morte.

 

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